quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Olha Pipoca aí, gente!!!!

Educar sem castigo: uma proposta viável

Diz o ditado popular que “pé de galinha não mata pinto”, mas de acordo com as estatísticas, muitas de nossas crianças têm sido mortas graças à violência familiar. De acordo com os dados do Ministério da Saúde obtidos através do VIVA (Sistema de Vigilância em Violência e Acidentes), entre 2006 e 2007, 61% das internações de crianças e adolescentes tiveram como causa a violência física. Desse percentual, 45% foram causadas pelos pais, os principais autores de violência contra crianças de 0 a 9 anos. Por dia, morrem no Brasil cerca de 100 crianças vítimas de maus tratos. Isso significa que a cada hora morrem cerca de 4 crianças por causa do abuso físico.
Por causa dos números alarmantes e pelo saldo dos danos físicos e psicológicos, está tramitando no Congresso Nacional o Projeto de Lei nº 7672/2010, que visa coibir o uso de castigos físicos, humilhantes e degradantes à criança e ao adolescente. É a chamada “lei da palmada”. De acordo com a proposta, a definição de “castigo” passa a ser incluída no artigo 18 do Estatuto como “ação de natureza disciplinar ou punitiva com o uso da força física que resulte em dor ou lesão à criança ou adolescente”. “Aqueles que infringirem a lei podem receber penalidades como advertência, encaminhamento a programas de proteção à família e orientação psicológica”, destaca Márcia Guedes, promotora da Infância e Adolescência do Ministério Público do Estado da Bahia, em Salvador.
È um projeto de lei polêmico, principalmente para muitas famílias as quais acreditam que a “palmada pedagógica” é a melhor solução para educar seus filhos. A lei não diz que os pais serão punidos por dar uma palmada, mas vem coibir os excessos. Todos nós conhecemos histórias de pais que queimavam seus filhos com talheres quentes, ferros de passar roupa, ovos quentes na palma da mão, espancamentos com chicotes, cordas ou mangueiras.
Talvez por falta de informação, essa tenha sido a única ferramenta que conheciam para disciplinar seus filhos, mas as marcas psicológicas certamente ficaram impressas nessas pessoas. A violência doméstica não visa a destruição do outro, mas transforma as pessoas que tendem a repetir os atos sofridos com seus cônjuges ou filhos. Ela ocorre num ciclo vicioso que precisa ser quebrado.
Podemos sim educar nossos filhos numa cultura de paz que começa no nosso lar. Bater não é sinônimo de autoridade e sim de autoritarismo. Uma criança não tem a mesma compleição física de um adulto, uma simples palmada pode ocasionar um traumatismo grave. Muitas crianças chegam aos hospitais sem marcas físicas da violência, mas que foram sacudidas pelos pais porque choravam. É a Síndrome do Bebê Sacudido, que causa concussão cerebral e pode levar à morte.
Portanto, se aprovada, a Lei será um marco divisor para a mudança dos hábitos de castigo cruel em muitas famílias. Muitos de nós levamos umas boas palmadas, e até poderemos ter dado umas palmadas em nossos filhos, mas cabe-nos mudar o paradigma da violência e ensinar às novas gerações a linguagem da paciência, da tolerância e do amor.
A lei não é contra o castigo. É possível castigar tirando momentaneamente uma atividade que a criança gosta, ou a deixando refletir por alguns minutos sobre seus atos. Devemos lhes ensinar também algumas “palavrinhas mágicas”, como um pedido de desculpas, um por favor.
Lembremo-nos que as crianças não constroem sua história sozinhas. Precisam de nós para construí-la de uma maneira saudável. Ela não deve ser vista como um objeto da família, com o discurso recorrente de que “é meu filho, eu faço com ele o que eu quiser”. Ela é um sujeito titular de direitos, assegurados pela Constituição Federal e pelo Estatuto da Criança e do Adolescente”, portanto é dever da família educa-la e protegê-la em todos os aspectos de seu desenvolvimento, ela é um sujeito social e titular de direitos humanos.
Vamos fazer parte desse movimento! Acesse os sites para maiores informações e dissemine-as entre seus amigos e família.
É hora de dar um basta! Não seja conivente com a violência.

www.naobataeduque.org,br
www.acabarcastigo.org.br
www.crin.org/violence
www.mp.ba.gov.br

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Primeiro amor- conto


Naquela tarde, cheguei da escola e fui correndo para a caixinha onde ele morava. Tinha o hábito de abri-la e colocar a mão para ele subir até meu pescoço, me cheirando com o narizinho tremelicando. Havia uns quatro meses que cumpria o mesmo ritual. Chegava da escola, abria a caixa, punha as mãos para ele subir e depois íamos para a cozinha, para alimentá-lo e brincarmos um pouquinho.
Durante as férias na casa da minha avó, que ficava num bolsão de caatinga cortado pela estrada, um dos meus primos havia armado uma arapuca e, desavisadamente, um preá fêmea havia caído ali e ali mesmo dado à luz a dois pequenos filhotes. Não se sabe exatamente por que, o doido resolveu matar e comer a pobre mãe, deixando os filhotes órfãos.
Se eu não tivesse aparecido na casa dele no fatídico dia, os pobrezinhos certamente teriam morrido de fome. Com cuidado, peguei um velho chapéu de sisal e os acomodei. A natureza é bem sábia, logo que nascem os preás estão prontos para correr pela caatinga em busca das touceiras protetoras das macambiras e gravatás. Os dois estranharam o ambiente pouco acolhedor do chapéu e logo queriam pular para fora, mas o fechei com cuidado e voltei saltitante para a casa da minha avó, levando a preciosa carga.
Logo meus tios vieram me avisar, rindo às minhas custas, que os dois logo fugiriam, mas insistente, coloquei o chapéu no centro de um rolo de corda e tentei os alimentar com leite e passei o dia inteiro carregando os dois para cima e para baixo. À noitinha, os acomodei novamente no chapéu e dormi ansiosa para que o dia amanhecesse logo para cuidar de meus rebentos.
Para minha tristeza, um deles havia sumido. Chorei pitangas pensando no que podia ter havido. Uma cobra poderia ter comido o filhote ou os terríveis ratos do campo, com seus dentões assassinos. Procurei insistentemente no velho depósito onde os havia deixado, mas não o encontrei. Lembro de ter rezado e pedido a Deus que o protegesse e resolvi que amaria para sempre o filhote que havia restado.
Na segunda-feira cedinho, voltava para a cidade. Sabia que a minha mãe não aceitaria a idéia de termos aquele bichinho em casa, mas a convenceria a criá-lo, dada a sua triste história. Arrumei com uma das minhas tias que era revendedora de cosméticos, uma caixa não muito grande, mas espaçosa o suficiente para que ele pudesse se movimentar, e com a minha avó paterna, que morava na cidade, um saco de cebola, daqueles que parecem uma tela e fiz para ele um lar aconchegante.
Quando chegava da escola, antes de qualquer coisa, ia à busca da caixinha. Nosso relacionamento se afinava a cada dia e o preazinho ficava cada dia mais esperto. Gostava de subir pelo meu braço e se aninhar no meu pescoço, com seu focinho molhadinho. Um preá da caatinga não é lá um bicho lindo, tem um pelo russo, olhos negros e brilhantes e as patinhas pretas, além de dois pares de dentes bem grandes e fortes para roerem tudo que acham pela frente. Mas como eu era apaixonada por ele, para mim, era o bicho mais lindo do mundo.
Mas naquela tarde, ele estava diferente. Coloquei minha mão na caixa e ele não subiu. Peguei-o cuidadosamente e o levei para a minha cama. Pus a mão novamente na frente dele, e ao invés de subir, ele deu uns passinhos para trás. Olhei os seus olhos pretinhos e percebi que ele estava diferente. Peguei-o novamente percebi que ele estava todo molinho, parecendo que estava com dor. Comecei ia chorar e perguntei à minha mãe se tinha acontecido algo e ela titubeou ao responder.
Fazia tempo que minha irmã caçula, uma pestinha de três anos, treinava para dar banho no pobrezinho. Eu tinha lhe explicado que ele era um bicho da caatinga e que no mato onde ele morava não chovia, por isso ele não precisava tomar banho e parecia que ela tinha desistido da idéia. Naquele dia, minha mãe lavou a roupa da casa e foi surpreendida pelo trocinho de cabelos cacheados, segurando o preá, meio inerte nas pequenas mãos, pedindo um prendedor de roupa.
_ Para que você quer um prendedor, Fernanda?
_ “Pá” secar o “peazinho”, mãinha. Eu dei banho nele e torci assim, ó!
Perdi assim o meu primeiro amor...

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Entre um colar e um conto

Quando chegou, comentou que achou bonito o meu colar. Perguntei-lhe o dia do seu aniversário e me disse a data, mas que não gostaria de ganhar o colar, mas um conto. Comecei a pensar o que poderia escrever sobre ela.


Nos conhecíamos há quase três anos. Lembro-me bem de quando chegou à escola, como agente da Editora Aymará. Nessa época eu assumia a direção de uma escola, no bairro da Liberdade. Chegou tímida, com uma longa saia branca. Pedi que se acomodasse enquanto eu atendia alguns alunos, mas na minha sala não tinha sequer uma cadeira disponível, estava tomada de livros.

Conversamos e a levei para conhecer a escola. Nos aproximamos a cada visita e na Semana das Crianças, ela conheceu Pipoca, meu personagem palhaço. Começava aí um relacionamento mais informal, mais divertido.

Um dia, enquanto conversava com uma professora sobre um jeito de ensinar matemática, ela confessou timidamente que gostaria de ter, na sua infância, uma professora assim e confessou as dores de ter sofrido bullying de uma professora. Nessa época nem se falava nisso, mas as suas marcas atravessam o tempo.

Deu uma vontade, de acolhe-la, de abraça-la. Acho que o fiz quando nos despedimos. Faço isso sempre, pois adoro quando ela chega.

Quem é, quem é? Cristina Mendonça. Pé-de-pato, mão-de-onça. Não que ela seja assim. É só pra rimar. Gosto do sorriso dela, do jeito tímido, do olhar. Gosto quando ela nos visita, e quando seus olhos brilham com as nossas ideias e projetos. É uma paulista que se “abaianou”. Apesar de seu jeito quieto, é uma alma pulsante. A mais nova é que ela agora anda aprendendo a pilotar moto.

Pois é, pois é... Entre um colar e um conto, cá está... Não é bem um conto, é uma descrição, mas taí, Cris. Você merece, com direito a publicação no Zoinho Curiando. Feliz aniversário! Que Deus ilumine seus caminhos. Não preciso dizer o quanto você é querida, não apenas por mim e pela equipe do Centro de Arte, mas por todos que convivem com você e isso não acontece somente pela sua qualidade profissional, mas pela PESSOA que você é.

Taí o conto. Será que ganha também um colar?

Um beijo no seu coração.

Niclécia (e Pipoca)

domingo, 12 de setembro de 2010

PAI, AFASTA DE NÓS ESSE CALE-SE!


Quando vivemos os horrores da ditadura militar, entre 1960 e 1988, a liberdade de expressão das pessoas e dos veículos de comunicação era cerceada por . Pessoas imbuídas de valores, crenças e ideologias que convergiam com os interesses daqueles que detinham o poder.  Artistas, pensadores, críticos do sistema eram exilados ou “desapareciam”. O saldo político desse sistema foi desastroso!
O PT foi nessa época, o partido da resistência, dentre outros partidos. Por isso, fico desapontada com as ações de alguns políticos que contrariam a proposta ideológica do partido, que aliás vem sendo diluída ao longo dos anos pelos prepostos que aí estão a governar.
O PT perdeu a credibilidade, desde os escândalos envolvendo o Zé Dirceu e o Palocci. Não se enganem achando que a Dilma vai ser o Lula de saias, nem que o Serra vai ser o salvador da saúde e da educação (lembram que no início do ano ele mandou “baixar o pau” nos professores grevistas em São Paulo? Eu não esqueci... Como professora que sou, me senti violentada também). Não temos hoje candidatos competentes para assumir a presidência da República. Os outros não estão no páreo. Pode ser que a Marina surpreenda. Quebram-se os sigilos. A mando do PT? Um golpe do PSDB? Para favorecer a quem?
E por falar em sigilo, qual a intenção do Gabinete do Prefeito ter o nome completo, RG e CPF do locutor “Branquinho”? Há uma prerrogativa jurídica para exigir esses documentos?  O prefeito perdeu a cabeça ou está mal assessorado? Com tantos milhões em caixa, ainda dá tempo de tentar recuperar a imagem, já tão arranhada, pelo menos para os eleitores mais ingênuos. Ainda dá para trabalhar pela cidade, pelos interesses do povo, para quem exerce o poder, e de quem emana o poder, pressuposto básico para o exercício da democracia.
Acredito que estamos amadurecendo politicamente e não podemos aceitar esse tipo de coação. Chico Buarque cantava “Pai, afasta de mim esse cálice” porque não podia explicitar seu pensamento. Ainda bem que alguns censores não tinham perspicácia suficiente para perceber trocadilhos e canções de protesto passavam quase incólumes.
Não preciso dizer que sou defensora da LIBERDADE, seja de expressão, de orientação sexual, de crença ou qualquer outra. A nossa liberdade individual só não pode atentar contra os princípios do direito e da ética. Já dizia o filósofo francês Voltaire “posso não concordar com nenhuma de tuas palavras, mas morrerei defendendo o teu direito de dizê-las.
Graças a Deus e à luta de heróis esquecidos hoje posso gritar se assim desejar, e, nesse momento quero fazê-lo: PAI, AFASTA DE NÓS ESSE CALE-SE!  Abaixo a censura, abaixo a coação!

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Ainda não é Natal, mas vou contar uma história...

Inimigo secreto

Aproximava-se o Natal. As pessoas estavam agitadas, preocupadas com os presentes que iriam ou não ganhar, com a ceia e, quem sabe, preocupadas mesmo com seus próprios umbigos. Estava fazendo um curso de especialização numa renomada Universidade. As pessoas que ali estavam tinham um poder econômico razoável, já que aquele era um dos cursos mais caros da área.
Contagiadas pelo clima natalino, as colegas sugeriram a organização de um amigo-secreto. Algumas sugeriam que nos déssemos livros que constassem da bibliografia do curso, outras que fosse estabelecido um preço mínimo para o presente, para não haver discrepância entre valores, já que é muito comum uma pessoa ganhar uma blusa fantástica que custa os olhos da cara ou aquele perfume da moda e receber em troca um mimo de uma loja de um e noventa e nove.
Não vamos ser hipócritas e dizer que o que vale é o simbolismo, na verdade, como humanos que somos, nos sentimos ofendidos sim quando achamos que o presente não está à altura. Abaixo a hipocrisia!
Estabelecemos então que seria passada uma lista de sugestões. Lembro-me de ter sugerido um livro de Alícia Fernandes. Mas, logo de início, a ideia do tal amigo-secreto minguou. De cinqüenta alunas, apenas umas quinze toparam. Trocaríamos presentes e almoçaríamos fora da Universidade. Começava outra longa deliberação para a escolha do lugar. Umas sugeriam um restaurante na orla marítima, outras achavam caro e sugeriam um restaurante de shopping e acabou que iríamos almoçar num boteco próximo, mas que, segundo algumas, tinha um um bom tempero.
Assim, a lista de sugestões foi passada, os nomes sorteados, os preparativos iniciados. Era época de encerramento de disciplina e de entrega de relatórios de estágio. Com os compromissos entre família, trabalho e universidade, no fatídico dia, ninguém lembrou do evento. Apenas eu, o professor e outra colega, trouxemos o presente.
Propus então que trocássemos o presente entre nós, somente para não voltarmos para casa com o presente que compramos para alguém. O bendito professor não concordou, pois havia comprado um livro que só teria significado se desse a tal amiga que havia sorteado, pois estava empolgado, arrastando asas para ela durante todo o curso.
Eu havia comprado um livro interessante para minha amiga-secreta e um igualzinho para mim. A colega, que por acaso era a pessoa a quem eu deveria entregar o presente, trazia embalada num papel dourado uma caixa , que parecia de perfume. Já decepcionada, não queria levar de volta o livro que comprara para ela, que, por ironia do destino, havia sido sorteada por duas vezes, diante das desistências do grupo e, por outra fatalidade infeliz, eu seira sua amiga-secreta.
O professor levou seu livro de volta. Nós duas trocamos os pacotes. Ela abriu meu pacote, ao tempo que, curiosa, eu abria a caixa. Para minha surpresa, deparei-me com um papai-noel de gesso, daqueles são vendidos nas lojas de um e noventa e nove e que custa no máximo uns cinco reais. A decepção se estampou na minha cara. Acho até que empalideci. Como é que uma pessoa como ela, mulher de um prefeito do interior, diante de um valor acordado, tinha a coragem de dar um presente daqueles? Parecia até que já tinha sido usado no natal anterior, dada a quantidade de poeira.
Minhas amigas que estavam na mesma turma, também compartilharam a minha decepção. Na ida para casa, morrendo de raiva do tal papai-noel, contei para o meu marido e meu filho, espumando de raiva e os dois caíram na gargalhada, o que me deu mais raiva ainda.
Furiosa, pedi para que parasse o carro no primeiro sinal que daria aquela coisa horrenda ao primeiro que passasse, pois se eu levasse aquele objeto para casa, a cada vez que o olhasse, lembraria da decepção. Mas ele não parou...
Talvez alguém se sentisse feliz em ganhar um enfeite de natal, por isso, ao ver um vendedor de gás pedi novamente para que meu marido parasse e ele novamente não parou...
Irritada pelas gargalhadas e tomada de fúria, abri a janela do carro e, próximo a um ponto de ônibus, a uma distância segura para não machucar ninguém, arremessei o maldito papai-noel, gritando:
_ Vai, papai-noel dos infernos!
Daí em diante, parti convicta de nunca mais participar de um amigo-secreto.


Niclécia, dezembro de 2007

Por um cacho de bananas



Acompanhando os noticiários da TV aberta, vemos a corrupção policial alardeada aos quatro ventos, em todas as regiões do país e, como cidadãos, graças a Deus, não perdemos a capacidade de nos indignar com alguns absurdos.
Na semana passada, presenciei uma cena patética. Ia eu para uma reunião num certo local da cidade. Para não chegar atrasada, já que o trânsito nas imediações da minha casa está um verdadeiro caos, resolvi tomar um taxi e ir por outro caminho. Conversava animadamente com o taxista sobre os candidatos à presidência, quando nos deparamos com duas viaturas fazendo blitz.
Na pista, dois policiais gordos abordavam os veículos. Quando me refiro a policiais gordos, vai aqui minha alfinetada: a polícia, seja ela civil, militar ou federal, deveria ter um programa de combate à obesidade, já que para pegar bandido magro,que corre da polícia ou que passa fome nas favelas e morros de nossa cidade, corre muito. Policiais gordos não tem fôlego para correr mais que cem metros e isso não é apenas uma crítica, é uma constatação.
Enquanto o trânsito fluía lentamente, ultrapasso-nos uma Kombi, caindo aos pedaços, que, se autuada, levaria umas vinte multas. O policial da primeira viatura parou o veículo e abordou o motorista. Conversaram uns minutinhos breves e, para minha extrema vergonha, o gordo policial apanhou duas pencas de bananas e solenemente as acomodou no banco de motorista da viatura.
Sentimentos de impotência, de vergonha e de indignação me tomaram. Infelizmente o serviço de disque-denúncia não é confiável quando se trata de denunciar a própria polícia. Se houvesse gravado o suborno e fosse vista, certamente não contaria a história.
Até tive pesadelos... uma penca de bananas dirigia a viatura da polícia.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

FÊNIX


Para quem não sabe o que é uma fênix, diz a mitologia grega que é uma ave rara, de penas cor de brasa ardente, que tem a capacidade carregar grandes fardos e de renascer das próprias cinzas.
Nunca falei muito sobre ela, mas o seu papel na minha vida tem uma dimensão imensurável. Apesar de sua pequena estatura, sentia-se se agigantar e se fortalecer a cada problema que procurava resolver, carregando grandes fardos.Essa é a minha avó Luzia. Uma verdadeira fênix.
 Hoje olho suas rugas, sua pele fina como um tecido translúcido, marcadas pela passagem do tempo, que não foi generoso com ela e em seus olhos já leitosos, ainda vejo o mesmo amor que me dedicou todos esses anos. Foi minha companheira quando mais precisei de uma palavra amiga, de um abraço de acolhida. Como gostávamos de andar juntas! Quantos caminhos caminhamos...Quando comprei minha primeira bicicleta, uma Brisa rosinha, punha sempre uma almofada na garupa e a acomodava para visitar suas comadres. Tinha o maior orgulho de desfilar pelas ruas da cidade levando Mãe, pois é assim que a chamo, copiada por todos os outros netos que me sucederam, pois carrego com muita reverência a honra de ser sua primeira neta.
Como disse, o tempo não foi generoso com ela. Viu o pai morrer jovem e sua mãe e irmão mais velho lutarem para criá-la e aos irmãos mais novos. Casou-se e teve doze filhos, dos quais duas morreram ainda bebês e, para sua tristeza maior, perdeu mais duas já adultas.  Viveu as secas, a fome, a pobreza e todas as mazelas que rondavam o sertão na passagem dos anos de 1920 a 1930. Menina, tinha que trabalhar na roça para ajudar no sustento da família. Só foi à escola já moça, onde conheceu meu avô. Foram felizes. A seu modo, se amavam. Quando meu avô faleceu, viu-se sozinha, como sua mãe estivera antes, a diferença é que já tinha criado seus filhos e já tinha alguns netos. Ainda faltava formar meu tio José, que estudava em Catu, um luxo para algumas famílias e meu tio Gil (Gilberto) que estudava em Cipó.
Imbuiu-se de uma força extraordinária para o seu corpo pequeno. Embora lhe coubesse a pensão deixada por meu avô e sua própria aposentadoria, ainda plantava quiabos, que fornecia para os feirantes da cidade.
Sua casa, sempre foi cheia de vida, de pessoas. Dificilmente alguém ia ao Buri sem passar por lá e tomar ao menos um cafezinho. O bule de esmalte verde estava sempre cheio, à beira do fogão de lenha e o cheiro do café fresquinho, feito pelo menos umas quatro vezes ao dia, enchia o ar daquela casa. Amava as flores e, enquanto pode, seu jardim era rodeado de hibiscos (que chamamos de boca-de-lobo) e sempre varrido diariamente com um feixe de vassourinhas.
Talvez eu não tenha falado sobre Mãe porque sempre a amei muito e isso as vezes causa um certo ciúme. Talvez eu não quisesse compartilhá-la com mais ninguém, a quisesse só para mim.
Com a perda das filhas, o estado de saúde de tia Tê, que teve um AVC aos trinta e dois anos, sua saúde foi se fragilizando a ponto de deixar, mesmo a contra-gosto, a sua casa e ir morar com uma das filhas, minha tia Di. A escolheu para ficar mais próxima de sua comadre Joana, pois assim teria companhia. Mais uma vez a vida não lhe foi generosa e tia Joana, como a chamávamos, veio a falecer.
A cada obstáculo superado, renasceu fortalecida, mas alguns AVCs seguidos a debilitaram cada vez mais. Uma mente lúcida, aprisionada num corpo que não responde. E agora, cada vez mais frágil, percebo meu egoísmo, pois queria que ela vivesse para sempre, eterna, majestosa, como sempre a vi.
Ontem, antes de partir de Cipó, dei-lhe um beijo emocionado e ela, fazendo um esforço sobre-humano, me abraçou. Me senti destroçada. Espero que ainda não tenha sido nosso último abraço. Ainda estou desorganizada emocionalmente. Preciso acalmar meu coração e meus pensamentos. Preciso compreender que é chegada a hora de sua transformação. É preciso que se vá, para renascer, como uma fênix...
Coisa pequenina, luz da minha vida... Luz, Luzia... Tudo que eu queria...

quinta-feira, 8 de julho de 2010

O MISTERIOSO CASO DAS LIXEIRAS DA PRAÇA


“O trabalho enobrece o homem”, mas não tem nada melhor que tirar uns dias de férias para curtir o que Sócrates chamava de “ócio produtivo”. É nesses dias de ócio que descobrimos o prazer das pequenas coisas e filosofamos sobre coisas que normalmente não temos tempo para pensar. A princípio, os leitores podem não achar que esse não é um assunto sério, mas é nos pequenos acontecimentos que percebemos os grandes fatos. Quando vemos a imagem de um iceberg, o que está à tona é apenas dez por cento do que as águas escondem.
Uma coisa que anda me intrigando é o misterioso sumiço das lixeiras do parque infantil da Praça Juracy Magalhães. Quando foi inaugurado, o parque contava com dois conjuntos de lixeiras, cada um com três contêineres; uma quantidade um pouco excessiva, uma vez que o restante da praça carece de lixeiras. No entanto, um dos conjuntos está devidamente instalado, com seus pedestais fincados, suas tampas no lugar, mas as lixeiras simplesmente desapareceram.
Pus-me a perguntar que tipo de pessoa subtrairia uma lixeira da praça, e três, convenhamos, é um exagero! Pensei na ação de vândalos, que infelizmente depredam nosso patrimônio público. Talvez elas tivessem sido levadas para a manutenção... ou um disco voador as tivesse achado bonitas e as levado para Marte. Por falar em patrimônio público, descobri que a estátua que decorava a entrada do Radium Hotel, aquela de uma moça segurando uma tocha, ao lado de uma roda, foi dada de presente a um cidadão de Itabuna. Será que ele também foi presenteado com as lixeiras do parque? Por que alguns se apropriam de bens públicos como se fossem particulares?
Só para esclarecer, O Patrimonialismo é a característica de uma administração que não possui distinções entre os limites do público e os limites do privado e o Vandalismo é uma ação motivada pela hostilidade contra a arte, a cultura, ou destruição intencional de bens e propriedades alheios, sejam estes públicos ou privados.
Por falar em lixeiras, gostaria de parabenizar os responsáveis pelo estabelecimento de horários para a coleta de lixo, sob pena de multa para aqueles que não cumprirem-lo. Precisamos nos educar e cuidar melhor da nossa cidade. Contudo, o poder público precisa estudar melhor o impacto ambiental causado pelo lixo de nossa cidade e, se possível, aliar-se às prefeituras vizinhas para a construção de um aterro sanitário adequado à legislação ambiental. Ainda precisamos melhorar muito também no atendimento ao turista, nos serviços de atendimento de bares e restaurantes e na variedade de produtos oferecidos. Precisamos retomar nossa tradição de cidade turística e explorar melhor os recursos que a Natureza tão generosamente nos presenteou: nossas águas termais. Espero que a equipe do governo cipoense invista com sapiência os recursos conquistados junto ao Governo Federal para que tenhamos uma cidade cada vez mais digna e acolhedora.
Voltando a elas, prefiro não acreditar que o sumiço das lixeiras se deu por intervenção de algum funcionário patrimonialista e sim pela ação de vândalos ou de pessoas mal intencionadas.
O que ou quem estará por trás disso? Será que o sumiço das lixeiras é apenas a ponta do iceberg?
Enquanto isso, o mistério das lixeiras da praça continua...

terça-feira, 6 de julho de 2010

FOLIA JUNINA





Apesar da correria da capital, não saberia viver em outro lugar. Não por enquanto. Passei quase quinze dias em Cipó e ainda bem que tive bastante “eventos” pra participar, pois, no inverno, as pessoas dormem muito cedo e não há muito movimento na praça, o point de toda cidadezinha.
Pra começar, inventei uma fogueira na noite de São João e um monte de comidas típicas, sem falar do licor de jenipapo e de cambuí, sabores marcantes do São João cipoense. Foi uma noite de São João parecida com aquelas de não tão antigamente (considerando a minha idade). Visitamos os vizinhos, fomos visitados, soltamos fogos, conversamos e tomamos licor.
Dessa vez não deu pra tomar banho de rio, apesar das águas estarem convidativas, mas tomei banho de chuva. Como é bom sentir os pingos caindo na pele, nos cabelos, sentir o cheiro da terra molhada!
Nos dias que se seguiram aconteceram os festejos oficiais, com bandas, barracas de bebidas e muita, muita gente. Adoro gente. Gosto de observar os tipos humanos e, na festa tinha cada figura! Gente que tinha bebido além da conta, gente bonita conversando, rindo, gente que só vai à cidade quando tem festa, gente que eu não via há muito tempo. Como foi bom!
Não houve violência, as pessoas se divertiram em paz e no domingo, dia 27, o show de Aviões do Forró trouxe para a cidade um contingente de pessoas que eu só vi nos grandes shows do Parque de Exposições daqui de Salvador.
Por falar em festa, fui convidada para dois casamentos e duas visitas, com direito a pirão de parida. Como o tempo foi um pouco curto, pois minha mãe havia feito uma cirurgia e eu tinha que cozinhar todos os dias (UFA!!!), fui no “pirão de parida” da mulher de  Odair, que teve um filhinho fofo. Foram convidadas umas sessenta pessoas e meu pai, que cozinha muito bem, foi intimado, junto com Beto, meu tio-primo, pra fazer o pirão que foi elogiado por todos os comensais.
Também fui tomar um café da manhã no Buri, com tio Zé, meu tio-avô, para não perder o hábito. Fui de moto-taxi e, no meio do caminho não tinha uma pedra, como diz Drummond, tinha um pé de fruta-de-cágado carregadinho. Não hesitei: pedi ao motoqueiro pra parar e me fartei de frutinhas. Para quem não conhece, a fruta-de-cágado é parente da pitanga, só que é maior e menos ácida. Também é bem vermelhinha e deliciosa. 
Na volta encontrei meu amigo Paulo, o Poeta Termal. Como sempre, é muito bom vê-lo. Pena que não deu para tomarmos um whisky. Vai ficar para a próxima.
Aproveitei as minhas tardes indo à praça para Ana Clara brincar por lá e descobri uma coisa interessante: três  lixeiras do parque infantil foram abduzidas!!! Mas essa é uma história para o blog da rádio!
Por fim, já estava com saudades das buzinas, do cinema, do shopping, do meu cachorro, e, principalmente do meu maridão, por isso, minha estadia em Cipó tem prazo de validade: quinze dias e está de bom tamanho. Amo minha terra, mas como diz minha amiga Glória, sou muito espaçosa...Não caibo num lugar só!   Um beijão!

segunda-feira, 21 de junho de 2010

POLÍTICA, LIBERDADE DE EXPRESSÃO, CIDADANIA E DEMOCRACIA

Na década de 20 do século passado, na Alemanha de Hitler, o grande aparato de divulgação dos anseios do Partido Nazista ganhou mais um elemento essencial à sua permanência no poder: o ministro do povo e da propaganda, Joseph Goebbels. Foi graças a ele que boa parte do povo alemão se engajou na luta de ódio contra tudo que, na visão do Partido, se opunha aos objetivos escusos de Adolph Hitler, tais como os judeus, os ciganos, e os povos que viam no nazismo uma grande ameaça à humanidade; o que anos depois se comprovou com a eclosão da II Guerra Mundial. É de Goebbels a célebre frase: “Uma mentira repetida várias vezes se torna uma verdade”. A ingenuidade do povo alemão naquela ocasião fez com que todas as manifestações da cúpula política, então dominante, soassem como verdade, ainda que a maioria do que era dito não passasse de estratégia de marketing da mais rasteira, tendo como consequência o extermínio de seis milhões de judeus em campos de concentração.

Começo esse artigo com essa pequena introdução apenas para demonstrar que apesar de ter se passado mais de meio século, os métodos de persuasão política não são muito diferentes dos de outrora. Tivemos mudanças ideológicas, tecnológicas, culturais e econômicas, porém muitos ainda teimam em confundir aspectos pessoais com os aspectos ideológicos e políticos. Desde que fui convidada a escrever artigos neste espaço tão gentilmente cedido pela Rádio Millenium, fiz questão de deixar algumas coisas bem claras:

1. Que os meus textos fossem lidos ou divulgados na íntegra;

2. Não ser censurada pela direção da Rádio, caso não concordasse com meu ponto de vista, já que escrevo artigos de opinião e sou responsável pelo que penso;

3. Que nenhum comentário, ainda que discordante do meu, fosse censurado (exceto os que ofendam a dignidade ou honra das pessoas, inclusive a minha).

Sempre tive essas prerrogativas atendidas por Arildo e sua equipe e sempre segui com meus artigos e comentários, não me escondendo atrás do anonimato, que entendo, já que ainda se tem a velha cultura da perseguição. Sendo assim, ressalto que os textos de cunho político aqui feitos, foram escritos por, antes de tudo, uma cidadã insatisfeita, que paga seus impostos e questiona o andamento dado a certos aspectos da nossa cidadania, seja no nível do nosso Município, do nosso Estado ou do nosso País. Não tenho pretensões políticas e isso me deixa ainda mais livre e tranquila para comentar o que quer que seja sem ser policiada ou sofrer represálias. Ainda na seara política, relembro aos porventura esquecidos, que os detentores de cargos públicos devem satisfação à população; esses cargos não são privados nem hereditários, portanto, temos o direito de exigir providências naquilo em que nos sentimos insatisfeitos. Não é crime citar nomes dos detentores desses cargos embora raramente o faça, portanto questões pessoais devem ser resolvidas na área pessoal. Jamais usei esse espaço para me referir a pessoas que não fazem parte da vida política da nossa comunidade – leia-se, aos não detentores de cargos públicos. Destarte, não uso e nunca usei os artigos publicados nessa coluna para me dirigir ou atingir pessoas que não devam satisfação aos seus eleitores.

Não admitirei, de quem quer que seja, ameaças à minha integridade física por motivos infundados, a partir de supostas conclusões de artigos e comentários meus neste espaço. Vivemos numa democracia e todos têm, assim como eu, o direito de discordar do que é dito ou escrito, sem, contudo, se achar atingido no plano pessoal por qualquer dos comentários aqui feitos. Receberei as reações exacerbadas como ameaça, e darei o tratamento adequado a essas reações dentro dos limites da lei, na Justiça e na polícia se forem colocadas em risco a minha integridade física e moral.

Na última semana fui surpreendida com um boato de que um motorista da Secretaria de Saúde de Cipó foi demitido por causa de um texto meu, lido no programa Cipó Notícias da Radio Millenium Fm, do dia 02 de junho. Felizmente, mantive contato telefônico com o motorista que me tranquilizou dizendo que ele mesmo havia informado aos seus superiores que não continuaria servindo à Prefeitura, em função das más condições de trabalho e o fato ocorreu antes mesmo da leitura do texto na rádio. Portanto, retomando o início desse texto, quero, aqui, impedir que uma mentira seja repetida até se tornar verdade. O e-mail lido na rádio falava apenas da falta de administração e consideração com os cidadãos cipoenses que ficaram em Salvador para tratarem de sua saúde e foram informados porque entraram em contato com a Secretaria, de que o ônibus não iria pegá-los. Esse e-mail foi mais um dos textos em que externei minha insatisfação no trato com a coisa pública, e o pivô de ter sofrido represálias.

Repito, não admitirei ameaças, principalmente de pessoas que não fazem parte da vida política do Município e que interpretam equivocadamente as palavras que divulgo neste blog. Continuarei utilizando do meu direito constitucional de me expressar, e os leitores continuarão com o direito universal de discordar de minhas palavras. Espero que essa discordância se mantenha no nível das idéias, como sempre se deu, pois se for de outra forma, as instituições democráticas, que alguns ainda estão pouco acostumados, serão acionadas, fazendo valer o exercício pleno da minha cidadania.



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Matéria: Niclécia Gama / Postagem: Fabrício Martins





8 Comentários:

Anônimo disse...

Minha querida...Parabens "sempre" por seus textos. Digo sempre, por vê com nitidiz sua postura digna de uma cidadã que preza simplesmente por "igualdades" e "liberdade" termos tão atrofiados propositalmente por muitos em nossa cidade.



Parabens (conte sempre com a gente)



Flavinho Leone



7 de junho de 2010 09:23

Anônimo disse...

NICLECIA VOCE ESTAR DE PARABENS COMO SEMPRE A SUA EVOLUSAO CULTURAL ME DEIXA ORGULHOSO COMO DIZIA A NOSSA PROFESSORA LEONICE. [ E A MALINHA DE SABEDORIA ] PARABENS AO POVO CIPOENSE E SE VOCE ME PERMITE EMSENTIVE O NOSSO AMIGO PAULO POETA A ESCREVER TAMBEM. DO TAMBEM CIPOENSE LUCIANO/GUARUJA SP



7 de junho de 2010 13:43

jose salvador dos santos disse...

ALEM DE ELUGIAR, AS SUAS MATERIAS, GOSTARIA QUE VOCE FIZESE UMA MATERIA SOBRE O PATRIOTISMO DO POVO BRASILEIRO, A HONDE A MAIORIA DO POVO BRASILEIRO NAO SABE CANTAR O HINO NACIONAL, INCLUSIVE OS JOGADORES DA SELEÇAO BRASILEIRA, PARA MIM ISTO E UMA VERGONHA, POR ESTAS E OUTRAS E QUE AS DROGAS ESTAO TOMANDO CONTA DOS JOVEMS, EU SOU DA EPOCA QUE PRA ENTRAR NA SALA DE AULA TINHA QUE CANTAR O HINO NACIONAL. PARABENS NICLECIA



7 de junho de 2010 17:53

Anônimo disse...

Gostaria de externar por Niclecia todo o meu apreço e consideração, pois é e sempre foi uma pessoa muito digna e só quem a conhece bem pode saber disso. è inadmissivel que num estado democrático as pessoas ainda se prestem a esse papel de fazer ameaças. Por acaso ela falou alguma inverdade? Somos cerceados nos nossos direitos de nos maniferstar sem ser peseguidos, porisso tanta gente escreve comentarios preferindo o anonimato. Infelizmente pessoas que não estão no poder se acham tambem no direito de ameaçar. Vá fundo, minha amiga, a lei está a seu lado. Essa pessoa com certeza vai pensar duas vezes antes de chegar perto de você. Um forte abraço e fique em paz, pois você não atingiu ninguém a quem não devesse, diga-se essa administração tacanha que está no poder. Uma pena que não vou poder me identificar para não ser perseguido, pois ainda trabalho na cidade, não tive a oportunidade de como você, voar mais alto. Sucesso, minha amiga e não se abale com coisas e pessoas mesquinhas.



7 de junho de 2010 22:55

MARICOTA disse...

MENINA, VOCÊ ESTÁ MESMO INCOMODANDO. COMO VOCÊ MESMA DIZ É PRECISO INCOMODAR OS ACOMODADOS, SÓ NUNCA ESPEREI QUE ALGUEM LHE AMEAÇASSE. ISSO É UMA VERGONHA, COMO DIZ O BORIS CASOI. TENHO LIDO SUAS MATERIAS E NÃO ENCONTRI NADA QUE OFENDESSE PROFUNDAMENTE NINGUEM. MESMO QUANDO VOCE FAZ SEUS COMENTÁRIOS PICANTES, SEMPRE FAZ COM UMA CERTA DELICADEZA. NÃO SE CALE, CONTINUE ESCREVENDO E OS INCOMODADOS QUE MUDEM SUA POSTURA PARA NAO SEREM ALVOS DE CRÍTICAS. SUA CIDADE PRECISA DE MAIS PESSOAS ASSIM, COMO VOCÊ, QUE NÃO SE INTIMIDAM. DEPOIS QUERO SABER MAIS DETALHES.



8 de junho de 2010 10:32

Ronald Freitas ( Roninho ) disse...

...quem fere a terra, fere os filhos da terra.



Ando por cá minha amiga, ainda perplexo com a persistência de alguns desavisados em perpetuar velhos métodos - a truculência da palavra e a covardia do silêncio. Por hora asseguro-lhe que novo tempo se avizinha, e que vendas e mordaças ainda que instrumentos muito utilizados pela REPÚBLICA DOS AMIGOS tendem a desaparecer como os ditadores calças-curtas, as damas de ferro e uma gente que nutre sentimentos pouco edificantes por nossa terra. Asseguro-lhe que esse momento da caminhada tem sido muito profícuo no plano real, e que logo retornarei também pelas bandas de cá. Todavia, com a força da nossa gente ainda sopraremos grandes tempestades.



P.S: Não sei se ainda desconhece, mas pode somar a sua voz a nossa mais nova campanha: EU QUERO A MINHA CIDADE DE VOLTA!!!



Grande Abraço



8 de junho de 2010 22:19

Anônimo disse...

Minha Amiga Niclécia. Acabou-se o tempo que o silêncio era a voz e ninguém velava por nós. O Povo Cipoense necessita beber de sua seiva e vasta sabedoria. "Palavras ditas na hora exata são como maçãs de ouro em bandejas de prata."

Profundamente louváveis suas colocações, nada adiante do nosso tempo, como você prisou no início do texto.

Aqui deixo meu apreço e ouso aportar meu barquinho junto à sua fala. Eis que da Selva de Concreto e Pedra...a Sabedoria ergue sua voz.

Diga...Fale...Não te Cales...Prossiga em seu desiderato, na certeza de que o povo despertará. Abraço Fraternal.



Paulo Cezar Santos Melo - Sgt PM

Poeta que Cipó pariu.



14 de junho de 2010 09:44

Anônimo disse...

Hoje cipó aperece poetas não que eu sou contra mas gente que nunca ligou pra nossa cidade.Vejo hoje uma cidade se desenvolvendo acabou a velha ditadura.Gente que faz parte da opsição ver funcionário fantasma no lado da situação,esquesse que do lado da opsição tenhem altos politicos fantasma.voçês tem medo de falar ou querem esconder,isso é uma vergonha.



19 de junho de 2010 12:35

terça-feira, 18 de maio de 2010

Sobre a frágil relação de pais e filhos

Lendo um dos comentários sobre uma de minhas matérias, deparei com uma observação interessante de um leitor, não acerca da relação pais e filhos, mas comparando-a com o cenário político atual. No entanto, não gostaria de retornar a esse assunto nesse momento. Não faltará oportunidade para isso, já que a política é um assunto sempre interessante. Assim, proponho uma reflexão sobre o papel dos pais na sociedade atual.
Até o início de século XX não havia uma preocupação da sociedade em relação às crianças ou aos seus direitos. Era comum, na era industrial, a contratação de crianças por salários até dez vezes mais baixos que de um adulto, com a mesma carga horária, que ocupava cerca de dezesseis horas por dia. Ainda hoje, as crianças trabalham. Na China, por exemplo, são elas, com suas mãos pequeninas, que manipulam pequenos circuitos de computadores e celulares que todos nós utilizamos. Não havia espaço para o lazer ou a educação, com exceção das crianças das classes abastadas, que proporcionavam estudo aos seus rebentos para garantir a consolidação das fortunas.
Com a chegada da modernidade, marcada pelos avanços da tecnologia, a inserção da mulher no mercado de trabalho, os filhos hoje são educados principalmente pela televisão, pelo computador e pelos jogos eletrônicos e, devido à ausência constante por causa do trabalho, um grande número de pais tem cedido às exigências dos filhos, transformando-os em pequenos tiranos. Hoje, os pais tem receio de dizer NÃO aos filhos por medo de perder seu amor, gerando no seio da família situações de permissividade.
Os pais tinham o direito de punir seus filhos da maneira que bem lhes aprouvesse, as vezes com castigos e violência física, que deixavam marcas não somente no corpo, mas na alma, estas, infinitamente mais prejudiciais. A ideia da proteção à infância é muito recente. É uma das marcas do pensamento moderno, que trouxe também a liberdade exagerada, a falta de limites entre o sim e o não. Para algumas correntes da psicologia, dizer não à uma criança pode traumatizá-la. Tentem justificar à criança de um ano o porque dela não enfiar o dedinho em uma tomada... Ou deveríamos deixá-la tomar o choque? Qual o trauma maior?
Alguns psicólogos defendem a idéia de que é preciso justificar o não. Outros profissionais do meio, inclusive eu, defendem a idéia de que nem toda atitude dos pais deve ser justificada, pois o adulto é o responsável pelo menor. Às vezes, não é não mesmo, e acabou! Amar também é dizer um não na hora certa e estabelecer limites, pois as crianças precisam deles para desenvolver suas potencialidades.

domingo, 18 de abril de 2010

GRAFITE


Numa tarde fria de inverno, ele olhou para mim. Tentei me esquivar, mas seus olhos  castanhos se prenderam nos meus. Entrei . E de onde estava, ouvi seus soluços na chuva. Não resisti. Perdi-me aos seus olhos e o acolhi em meus braços. Apesar de morar em belo palácio, sua alma era triste. O abracei, e, no meu abraço, seu mundo cruzou o meu.
Na fria noite, o tratei como um  filho, dei-lhe banho, sequei com carinho. O pus para dormir bem quentinho. Na madrugada, seu choro baixinho denunciou a saudade de casa. O acolhi novamente em meus braços, cantei baixinho e o pus para dormir novamente. Dessa vez, em companhia de um ursinho de pelúcia.
Pensei em dar-lhe o nome de Dudu, que em yoruba, significa “negro”, ou Ônix, mas a minha mãe resolveu chamá-lo Grafite, em homenagem ao jogador discriminado, do Santos, e o nome pegou.
Aquela foi a primeira e a última noite de choro. Daí em diante se sentiu seguro e foi essa a minha perdição. Desde então, ele se tornou um pequeno tirano: roeu sapatos novos, roeu pés de cadeira, quebrou os óculos de Joilson, se apossou dos bichinhos de pelúcia de Ana Clara, dentre outras coisas.
Uma vez, Igor estava doente e não tinha se alimentado bem durante a semana. Com carinho, fiz um bolo de maçã e deixei esfriando sobre a mesa. Fui à casa de uma amiga, rapidinho. Quando voltei, ele estava na porta, todo desconfiado. Quando olhei para a mesa, o danado havia comido todo o bolo. Não sei como não morreu de indigestão. Outra vez, não sei como, subiu na mesa e lambeu quase um pote de manteiga e nem teve diarréia. Acreditamos, que quando saímos, ela deve abrir umas asas que deve ter escondidas nos pelos, não asas de anjo, mas de uma entidade duvidosa...
Grafite está conosco há cinco anos, largando pelos pela casa inteira, pois é um Cocker spaniel, detestando Joilson desde sempre, pois quando tem oportunidade faz xixi no travesseiro dele. Ciumento como um amante louco, faz festa quando recebemos visita, mas rosna quando alguém me beija. Mas depois as presenteia com uma meia ou um pano-de-chão. Como todo baiano, adora uma rede. Quando viaja de carro, seu lugar é no banco da frente, para por os orelhões ao vento e ficar engolindo o ar.
É a expressão literal do velho ditado “o cão chupando manga” pois é sua fruta preferida. Quando comemos maçãs ou peras, ela fica pedindo com aquele olhar de coitadinho. Seus olhos são um capítulo a parte, pois com eles, consegue tudo que quer. Não suporta que briguemos com ele, tem umas manias de gente, adora dormir de papo pro ar e até ronca!
Além disso, Grafite tem uma energia infinita para brincar com Ana Clara: até hoje não sei se ele pensa que é menino ou se ela é cachorro. A  brincadeira preferida dos dois é ele entregar, presa entre os dentes, uma meia para ela, que a segura e gira para ele sair tontinho pela casa, se batendo nos móveis.
Ele tem também a mania de me disciplinar quando fico acordada até tarde. Vem de mansinho, me olha com cara de pedinte, com seus olhos castanhos e ar entristecido, começa a chorar e dar pulinhos em direção à rede ou ao quarto. É o sinal que é hora de dormir...

sexta-feira, 16 de abril de 2010

A um amigo...

Pessoas são como estrelas, diz um velho texto que circula na Internet. Umas apenas passam em nossas vidas, outras permanecem brilhando eternamente. Agradeço a Deus por ter meu céu pontilhado de estrelas que são eternas.
Uma delas tem nome: Paulo. Começou a brilhar na minha vida como um pontinho de luz que tremeluzia, lá no final dos anos 80. 1988, para ser precisa. Nos conhecemos quando entrei para o curso técnico, no saudoso Colégio Maria Vestina, que nessa época funcionava no Colégio Edivaldo Boaventura. Bons tempos aqueles... No Maria Vestina, fiz amigos duradouros e quando nos encontramos uma festa se forma em nossas cabeças.
Pois bem, esse pontinho de luz foi se aproximando, tímido, para estudar, fazer trabalhos, trocar informações e, aos poucos, conversávamos sobre tudo. Ele era magrinho, comprido, dono de um sorriso lindo. Eu, baixinha, espoleta, circulava pela turma inteira, por isso meu céu é tão estrelado. Foram tantos amigos...Seria injusta se não lembrasse de Gislaine, Olga, Dimas, Climério, Reinaldo, Boy, Cláudio, Lúcio, Vicente e Marivânia, Ceiça, Wellington,Edna, Tusta, Climério e tantos outros que não cabem aqui, mas cabem em meu coração... Cada um mereceria um texto, pois também são pessoas especiais.
Muitos estão em outras terras, perdemos o contato. Mas inventaram uma ferramenta ótima para amigos distantes: o Orkut e graças a ele reencontrei muitas pessoas. O Paulo, entre elas.
Acompanhei seu noivado, o nascimento de suas filhas. Eu tinha até um passarinho que se chamava Poliana. Conversávamos muito quando ele trabalhava no Grande Hotel, mas quando foi para a Polícia Militar, perdemos o contato e só nos vimos, desde então, em curtíssimos espaços de tempo, sempre de passagem.
Graças à tecnologia nos reaproximamos. Trocamos poemas (ele) e contos (eu). Nos lemos no Orkut, no blog, no e-mail. Não preciso dizer o quando prezo sua amizade, por isso esse texto é para você, Paulo. Para te dizer o quanto me sinto honrada em ser sua amiga (e tem gente que não acredita em amizade entre homens e mulheres) e como me sinto lisonjeada em ser definida em versos por você, me acredita assim:

“Você é simplesmente muito mais que o Estalo de um Grito singular e poeta no infinito.
Você é exatamente o original de uma idéia boa de alma lavada e elevada pra lá do fim do mundo....você é mais que um poço sem fundo.
De sorriso farto, de emoção divinal, de tom angelical...assim assim assim...feito gente natural”.
Às vezes nem me acho essa bola cheia que você pinta tão bem... Mas sou meio assim, assim, assim...

Um beijo em seu grande coração, meu amigo, estrela pulsante em meu firmamento!!!

quarta-feira, 14 de abril de 2010

DIA DE CHUVA

A chuva castiga a cidade. Lá fora, a água parece brotar das bocas-de-lobo, que já não suportam a vazão do aguaceiro. O som da chuva caindo nem de longe lembra o mesmo som da chuva que cai no interior, nas casas de telhado. Aqui dentro, entre leituras, computador, televisão, cada um cuidando de seus interesses pessoais.
Lembro que quando criança (pois pequena eu sempre fui) gostava de ver a chuva caindo, escorrendo pelos beirais do telhado, na casa do Buri. Vez ou outra, conseguia dar uma fugidinha e tomar aquele banho nas grossas goteiras que desaguavam na terra fofa, formando, ao tocar o chão, pequenas coroas. Me sentia a rainha da chuva... Talvez por isso eu goste tanto de ver a chuva caindo.
Admiro a beleza das tempestades, embora estas tragam trágicas conseqüências para uma grande parte da população.
Hoje, depois de observar a chuva, com um ar melancólico, que nem combina muito comigo, resolvi tomar um vinho quente, bebida típica do inverno sulista. Baiano é assim, na primeira chuva, faz a festa! Adoro o inverno por causa da elegância que as pessoas costumam se vestir para ir ao trabalho, ao shopping, ou até para encontros casuais.
A chuva continua a cair, agora mais mansa. Fecho os olhos e sinto, vindo das minhas lembranças, o cheiro da terra molhada. O sabor das memórias agora não mais da infância, mas da adolescência inconseqüente, tempo em que andava por aí, de moto, sentindo os pingos da chuva atingirem como agulhas a minha pele, dos beijos molhados, do amor sem barreiras climáticas.
Retorno ao presente, para o aconchego do meu lar, cada um ainda cuidando de seus interesses e o cachorro, aproveitando o friozinho que chega por uma fresta da janela entreaberta para tirar um cochilo perto de mim, no braço do sofá.
A tartaruga? Perdida por aí. Quem sabe depois da chuva ela aparece?

domingo, 11 de abril de 2010

Desventuras de uma dona-de-casa


Ah! Essa vida de dona-de-casa, realmente é uma loucura... Gilda ainda não voltou e estou tendo que, tecnicamente, dançar o redolation na cozinha... E tem gente que gosta! Do rebolation e das tarefas domésticas!
A pior parte dessa semana foi limpar as carnes que íamos consumir... Tenho horror a carne crua, o cheiro me enoja... E o frango? Pra tirar a pele do bicho, tenho que por uns três limões antes, para não sentir o cheiro, isso sem  contar as ânsias de vômito que aparecem qunado, por baixo da pele fria, aparece auqela gosma. Ugh!!!

Não gosto muito de trabalhar com objetos perfuro-cortantes. Não gosto de facas, tesouras ou agulhas. Minha mãe tentou muitas vezes me ensinar a fazer bainhas de calça, pois, segundo ela, me casaria e teria que apender a fazer as bainhas das calças do marido. Grande coisa... na minha cabeça adolescente, não me casaria. Daí, um dia, me casei, mas até hoje, não fiz uma bainha sequer das calças dele, em dezesseis anos de casamento. Se for necessário, faço um armengue, preferencialmente, com fita adesiva dupla face, para não furar os meus dedos com as terríveis agulhas.
Pois bem, estava a cuidar das carnes, quando, de repente, não mais que de repente, a faca escorregou e cortou-me o dedo. Foi um sangria total. No auge do meu desespero o telefone toca e é uma amiga a me perguntar como eu estava, ao que respondi:
_ Tentando me suicidar, a começar pelos dedos! Imaginem só, realizem, alguém tentaria se matar logo com uma faca... Ainda bem que ela bem-humorada e me respondeu:
_Só você mesmo, sua boba! Existem métodos mais eficientes para se matar! tente se afogar num copo d´água!
Isso acabou definitivamente com o meu mau-humor, caímos na risada e acabei deixando as carnes para Joilson cuidar. Ainda bem que tenho um marido pós-moderno.
A família inteira tem se empenhado para manter a casa funcionando. De certa forma, isso nos une mais, embora seja irritante ficar pedindo a Igor para fazer uma tarefa pelo menos umas quinhentas vezes, mas ele está se saindo muito bem.
O trabalho de Ana Clara é limpar o rack, pois como todos estão ocupados, ela também se sente responsável por alguma coisa. E assim vamos vivendo, e eu, morrendo de saudade de Gilda...

terça-feira, 6 de abril de 2010

Diário de uma atípica dona-de-casa II

Sempre gostei de andar com as unhas arrumadinhas, mesmo que na primeira instabilidade, eu as roa. Porém, com as minhas "bem-aventuranças" como dona-de-casa, consegui, em tres dias, acabar com os esmalte que coloquei, chiquérrimo, roxo-beringela. Depois de lavar roupas, mesmo com ajuda da máquina, de cozinhar, temperar, limpar, fiquei rosa-chiclete quando vi os pedaços de esmalte largando. Quase enfartei!
Estou passando uns dias de cão. Durante os turnos de trabalho, em cima do salto e no turno de casa, uma verdadeira gata-borralheira. Ugh!
Até gosto de cozinhar, umas comidinhas diferentes, testar temperos, texturas, sabores, mas fazer o feijão-com-arroz do dia-a-dia, é um pouco demais!
Para mim, a gota d'água é lavar cuecas. Nunca lavei, nem lavarei... Não faço isso nem com a corda no pescoço, a menos que o dono delas esteja doente ou com uma das mãos quebrada. Não faço questão de ser esposa padrão. Já disse e repito: adoro ser uma trabalhadora brasileira. Adoro a minha família, a minha casa, os meus filhos, mas tem coisas que eles não podem e não devem esperar de mim.
Tenho me virado do jeito que posso  e ainda acho um tempinho para escrever meus "Poemas comestíveis", alimentar o blog e ler um pouquinho.
 E quer saber? Novamente benditas sejam as mães, as nossas empregadas, as nossas diaristas e qualquer heroína que se desdobra para trabalhar e ainda cuidar da vida doméstica. Só espero que a minha situação se resolva logo... estou quase tendo uma síncope! Meu Deus, não tenho vocação para ser Amélia... "Amélia não tinha a menor vaidade, Amélia é que era mulher de verdade."

Beijocas, cansadas...

domingo, 4 de abril de 2010

Se não vai ter festa, invente uma!

Quando a gente cresce, a vida de adulto acaba encolhendo a porção criança que existe em nós, e ficamos preocupados com a educação dos filhos, as contas para pagar, com o mês que tem mais dias do que o salário, essas coisas de adultos. Mas, quem ainda tem criança em casa, como eu, não pode deixar de organizar uns "eventos".
Boa era a vida no interior, que tinha a imensidão da rua para jogar rouba-bandeira, baleô, brincar de esconde-esconde, amarelinha, pega-pega. Para quem mora na cidade grande, mais especificamente em apartamentos, o espaço para a brincadeira se restringe ao playground.
Pensando nisso e com pena de Giovanna, amiga de Ana Clara, que não pode vir para o aniversário, prometi que faria um batizado de bonecas no final do mês. Com a proximidade da Semana Santa, agendei o tal batizado para o Sábado de Aleluia.
Foi uma festa, fiz bolo, pão, brigadeiro, jujuba, biscoito, tudo servido num conjuntinho de chá charmosíssimo até a neta da vizinha, que é evangélica, estava aqui em casa batizando bonecas. Joilson bancou o padre, com direito a pia batismal e Igor e Danilo, namorado da minha irmã, foram padrinhos.
Foi uma farra. Até os adultos se divertiram. Tenho certeza que quando estiverem adultas, as meninas lembrarão com carinho da tarde de ontem. O próximo batizado está marcado: vai ser no apartamento novo de Fernanda. Portanto, se não tiver um motivo para festejar, invente um! Você vai se surpreender...

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Páscoa em Família

Adoro as festas de família. É a oportunidade que temos de nos reunirmos, conversarmos, trocar figurinhas... Diante das mazelas que estou vivendo, até que dei conta da comida dessa sexta-feira santa: caruru, vatapá, moqueca de bacalhau, de camarão, de arraia, bacalhau de forno, feijão fradinho e.. de sobremesa... pudim! Uiii!!! Mas de acompanhamento, para os adultos, O VINHO!!!  Meu cunhado sabe que adoro vinho seco e me trouxe um, argentino, que foi meu fim...
Desde  a minha formatura, em 2005, não tomava um porre tão violento. Nooossssa!!!! O vinho tinha um gosto de quero mais e comecei pelo argentino, continuei com um chileno e acabei num gaúcho... O resultado disso tudo foi que me senti levinha, sem dor (que foi a melhor parte). Mas a rebordosa foi o fim: Vomitei horrores na pia do banheiro. Ughj!!!! Tomei um banho frio, falei besteira, depois apaguei. Quando acordei, descobri que minha sogra estava em casa (que catástrofe!!!) e que eu não a recebi porque estava apagada....
Acho que realmente falei horrores, pois meu marido estava com uma cara!!!! Será que contei algum segredo inconfessável????  Quase todos nós temos uns momentos desses...
Tomei um café forte, quente e meio amargo. Só não estou pronta pra outra, pois vexame assim só de vez em quando... Aliás, uma vez a cada cinco anos, pra não fazer feio. Não consigo entender qual o prazer de ficar  de porre... Mas cá, entre nós, de vez em quando, não faz mal a ninguém.

Beijocas

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Diário de uma atípica dona-de-casa

Passei esses dois dias bendizendo as donas-de-casa e as empregadas domésticas. E mais: bendita a minha mãe e a sua, que muitas vezes abdicou de seus desejos pessoais para cuidar da casa, dos filhos e do marido.
Quer saber o motivo de tanta adoração? Minha fiel escudeira, Gilda, que trabalha comigo há quinhentos anos está doente e deve ficar uns quinze dias afastada mais uma vez. Por sorte (se isso é sorte) minha irmã Nívea, que mora comigo, está desempregada. Parece hipocrisia, mas nunca agradeci tanto a Deus por alguém ficar sem emprego. E não é maldade.
Estamos nos rebolando para dar conta de todos os afazeres domésticos, além de cuidar de levar e apanhar Ana Clara na escola, fazer comida, lavar roupa... Definitivamente não fui talhada para ser dona-de-casa. Ufa!!! Para completar o “muro das lamentações”, ontem nós passamos a manhã lavando as roupas (de cama, mesa e banho) e a pobrezinha da Nívea as colocou para secar na cobertura do prédio. No finalzinho da tarde, fui lá recolhê-las.
Toda prosa, retirei-as do varal, dobrei-as, admirei o céu que escurecia e desci as escadas, com cuidado, andar por andar, mas, quase no finalzinho da escada do segundo andar, achei que os degraus haviam terminado e dei “aquele passo”, rolando escada abaixo uns cinco degraus. Gemi, chamei os vizinhos, mas não estavam em casa. Fiquei uns cinco minutos tentando arranjar um jeito de levantar para não machucar ainda mais a coluna, até que consegui e cheguei em casa, arrasada, com um machucado horrível na perna.
Hoje, com o sangue frio, estou mais dolorida. Ainda assim, tenho que dar conta de algumas tarefas domésticas pois amanhã é Sexta-feira Santa e a casa vai estar cheia.
Porque estou contando isso? Para desabafar e para dizer que realmente essa não é a minha missão. Adoro a minha casa, a minha família, mas gosto de trabalhar fora o dia todo e chegar à noitinha e encontrar um cafezinho preto e quente, a casa arrumada, os filhos cheirosinhos... Trabalho fora desde os 14 anos e jamais me adaptaria á rotina de ficar o dia inteiro em casa, cuidando de tudo. Definitivamente, essa não sou EU!!!!
Portanto, reitero aqui minha admiração pelas nossas mães, pelas “rainhas do lar” e pelas nossas secretárias!!!

quinta-feira, 18 de março de 2010

UHUUUUU!!!!!! PASSEI!!!!!


Soube há pouco que passei na seleção do curso de pós-graduação em Gestão de Instituições Públicas. Fui correndo acordar minha irmã para contar a novidade e passei um e-mail para meus amigos para noticiar. Pode parecer bobagem, mas fiquei louca de alegria. Quando fiz Psicopedagogia, a seleção foi menos rigorosa, não havia apresentação de ante-projeto nem entrevista. Essa foi dureza. Tivemos que ler cinco livros, fazer uma redação sobre um trecho de um dos livros e participar de uma entrevista com os coordenadores do curso.
Sempre gostei de estudar e de ler. É o único bem que é intransferível. O que sabemos, apesar de transmitirmos aos outros, nunca o fazemos na totalidade, pois são resultados de experiências individuais. Quando estou estudando, estou sendo egoísta, fazendo algo para mim, exclusivamente, pois o resto das coisas que fazemos é sempre para alguém: marido, filhos e outros.
O primeiro requisito para a “peneira” foi o curto espaço de tempo para produzir o ante-projeto.Não encontrei alguns livros  e, para meu desespero o trecho da redação era exatamente sobre um dos que eu não tinha lido. Consegui me safar na primeira etapa porque já tenho um caminho andado na gestão de instituições públicas.  No dia da entrevista, me arrumei toda, caprichei na maquiagem e lá fui...
No dia anterior, as dores na coluna que tinham me perseguido a semana inteira resolveram atacar. Fui parar no hospital para tomar o que chamo de “coquetel Molotov” pois as drogas são tão fortes que me deixam inoperante uns dois dias, mas não tinha outro jeito. Ou tomava o troço, ou amanheceria travada! Fui pra entrevista com uma leveza na alma e um branco total na cabeça.
Respondi sobre minhas atividades, área de atuação, sobre o projeto e aí veio a pergunta fatal... Quais referências eu tinha lido para fundamentar o projeto? Não consegui lembrar. O branco ficava cada vez mais branco e eu simplesmente não lembrava nenhum dos autores. Tive que usar a estratégia mais digna: fui sincera. Disse que havia lido alguns livros, textos e sites da internet, mas, naquele momento, simplesmente não lembrava.
Voltei para casa insegura e com uma certeza: eu estava fora. O resultado, conforme o edital seria no dia 19, mas hoje, por curiosidade resolvi dar uma espiada no site e, surpresa: o resultado tinha sido divulgado desde o dia 12. E melhor ainda: meu nome estava lá, estampado na lista.
Querem saber? Tem um gostinho bom. Durante esses dias vivi emoções que há tempos não experimentava: a dúvida da aprovação. A última vez que senti essa coisa doida foi no vestibular.
Agora posso gritar: UHUUUU!!!! PASSEI!!!!