Antes, um pequeno povoado,
chamado Mãe D´água, perdido no meio do sertão. Hoje, uma jóia esquecida no fundo do baú de
uma madame decrépita: a administração pública.
Oitenta e dois anos se foram e o pequeno
povoado, onde o médico Dr. Adriano Pondé fez suas pesquisas nos anos 1920,
impulsionado pelo potencial de suas águas curativas, tornou-se uma cidade. Em
torno das cálidas águas, ela cresceu. No meio do sertão, onde o calor faz
ferver a terra, um oásis de beleza: Caldas de Cipó. Com o potencial turístico e
a construção da ponte sobre o Rio Itapicuru ampliando a malha rodoviária de um
Brasil que queria florescer industrialmente, Caldas de Cipó tornou-se a
Princesinha do Sertão, com suas águas medicinais e aqui chegavam pessoas não só
do Brasil, mas de várias partes do mundo buscando tratamento.
Nos anos de ouro, o povo cipoense
viu a construção do Grande Hotel, que abrigava a elite da época, o Radium Hotel,
o funcionamento do cassino, em pleno vapor, pois os jogos de azar eram
legalizados. O Clube Balneário era um espetáculo à parte, com seus banheiros a sua
impressionante piscina termal.
Passados 82 anos, pergunto: o que
foi feito? Não podemos viver no passado, mas é preciso preservar a nossa
história para termos um futuro. Hoje Cipó é apenas uma pálida sombra do que foi um dia.
Cada vez que sento-me à Praça
Juracy Magalhães, contemplo com tristeza o Grande Hotel, fadado ao descaso da
Bahiatursa e da prefeitura Municipal que há muitos anos parece anestesiada
demais para perceber que o prédio está ruindo. O Radium Hotel, mesmo alvo de
uma disputa judicial não merece o tratamento desrespeitoso que tem. Árvores
crescem em sua fachada e as pessoas parecem não perceber que suas raízes
apodrecem a estrutura e que podem causar acidentes graves.
E o Teatro Genésio Sales, o Posto
de Puericultura? São prédios que pertencem á cidade e que estão há muito,
abandonados.
O Clube Balneário, desse ninguém lembra.
De um passado antes glamouroso, hoje está fadado às ruínas. Não podemos viver
de saudade, mas o que está sendo feito com o nosso patrimônio artístico,
histórico e cultural está sendo vergonhoso.
São louváveis os esforços de
muitos cipoenses para fortalecer a nossa identidade, compartilhando fotografias
e relatos de seus acervos pessoais, mas precisamos mais do que isso. Somos uma
cidade digna de possuir um museu e temos espaços para isso. O que não se tem é
boa vontade.
Enquanto estivermos preocupados
apenas com a qualidade dos artistas que são trazidos para o Aniversário da
Cidade, deveríamos nos preocupar com o futuro dela, com o que queremos para nós
mesmos e para os nossos filhos. Certamente, um dia voltarei e quero que meus
netos possam se orgulhar de suas origens
e ter o prazer de visitar uma velha avó que mora numa cidadezinha do
sertão!
Niclécia Gama
Imagens do Clube Balneário em ruínas - Google Imagens





