Apesar da correria da capital, não saberia viver em outro lugar. Não por enquanto. Passei quase quinze dias em Cipó e ainda bem que tive bastante “eventos” pra participar, pois, no inverno, as pessoas dormem muito cedo e não há muito movimento na praça, o point de toda cidadezinha.
Pra começar, inventei uma fogueira na noite de São João e um monte de comidas típicas, sem falar do licor de jenipapo e de cambuí, sabores marcantes do São João cipoense. Foi uma noite de São João parecida com aquelas de não tão antigamente (considerando a minha idade). Visitamos os vizinhos, fomos visitados, soltamos fogos, conversamos e tomamos licor.
Dessa vez não deu pra tomar banho de rio, apesar das águas estarem convidativas, mas tomei banho de chuva. Como é bom sentir os pingos caindo na pele, nos cabelos, sentir o cheiro da terra molhada!
Nos dias que se seguiram aconteceram os festejos oficiais, com bandas, barracas de bebidas e muita, muita gente. Adoro gente. Gosto de observar os tipos humanos e, na festa tinha cada figura! Gente que tinha bebido além da conta, gente bonita conversando, rindo, gente que só vai à cidade quando tem festa, gente que eu não via há muito tempo. Como foi bom!
Não houve violência, as pessoas se divertiram em paz e no domingo, dia 27, o show de Aviões do Forró trouxe para a cidade um contingente de pessoas que eu só vi nos grandes shows do Parque de Exposições daqui de Salvador.
Por falar em festa, fui convidada para dois casamentos e duas visitas, com direito a pirão de parida. Como o tempo foi um pouco curto, pois minha mãe havia feito uma cirurgia e eu tinha que cozinhar todos os dias (UFA!!!), fui no “pirão de parida” da mulher de Odair, que teve um filhinho fofo. Foram convidadas umas sessenta pessoas e meu pai, que cozinha muito bem, foi intimado, junto com Beto, meu tio-primo, pra fazer o pirão que foi elogiado por todos os comensais.
Também fui tomar um café da manhã no Buri, com tio Zé, meu tio-avô, para não perder o hábito. Fui de moto-taxi e, no meio do caminho não tinha uma pedra, como diz Drummond, tinha um pé de fruta-de-cágado carregadinho. Não hesitei: pedi ao motoqueiro pra parar e me fartei de frutinhas. Para quem não conhece, a fruta-de-cágado é parente da pitanga, só que é maior e menos ácida. Também é bem vermelhinha e deliciosa. Na volta encontrei meu amigo Paulo, o Poeta Termal. Como sempre, é muito bom vê-lo. Pena que não deu para tomarmos um whisky. Vai ficar para a próxima.
Aproveitei as minhas tardes indo à praça para Ana Clara brincar por lá e descobri uma coisa interessante: três lixeiras do parque infantil foram abduzidas!!! Mas essa é uma história para o blog da rádio!
Por fim, já estava com saudades das buzinas, do cinema, do shopping, do meu cachorro, e, principalmente do meu maridão, por isso, minha estadia em Cipó tem prazo de validade: quinze dias e está de bom tamanho. Amo minha terra, mas como diz minha amiga Glória, sou muito espaçosa...Não caibo num lugar só! Um beijão!
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