Passei esses dois dias bendizendo as donas-de-casa e as empregadas domésticas. E mais: bendita a minha mãe e a sua, que muitas vezes abdicou de seus desejos pessoais para cuidar da casa, dos filhos e do marido.
Quer saber o motivo de tanta adoração? Minha fiel escudeira, Gilda, que trabalha comigo há quinhentos anos está doente e deve ficar uns quinze dias afastada mais uma vez. Por sorte (se isso é sorte) minha irmã Nívea, que mora comigo, está desempregada. Parece hipocrisia, mas nunca agradeci tanto a Deus por alguém ficar sem emprego. E não é maldade.
Estamos nos rebolando para dar conta de todos os afazeres domésticos, além de cuidar de levar e apanhar Ana Clara na escola, fazer comida, lavar roupa... Definitivamente não fui talhada para ser dona-de-casa. Ufa!!! Para completar o “muro das lamentações”, ontem nós passamos a manhã lavando as roupas (de cama, mesa e banho) e a pobrezinha da Nívea as colocou para secar na cobertura do prédio. No finalzinho da tarde, fui lá recolhê-las.
Toda prosa, retirei-as do varal, dobrei-as, admirei o céu que escurecia e desci as escadas, com cuidado, andar por andar, mas, quase no finalzinho da escada do segundo andar, achei que os degraus haviam terminado e dei “aquele passo”, rolando escada abaixo uns cinco degraus. Gemi, chamei os vizinhos, mas não estavam em casa. Fiquei uns cinco minutos tentando arranjar um jeito de levantar para não machucar ainda mais a coluna, até que consegui e cheguei em casa, arrasada, com um machucado horrível na perna.
Hoje, com o sangue frio, estou mais dolorida. Ainda assim, tenho que dar conta de algumas tarefas domésticas pois amanhã é Sexta-feira Santa e a casa vai estar cheia.
Porque estou contando isso? Para desabafar e para dizer que realmente essa não é a minha missão. Adoro a minha casa, a minha família, mas gosto de trabalhar fora o dia todo e chegar à noitinha e encontrar um cafezinho preto e quente, a casa arrumada, os filhos cheirosinhos... Trabalho fora desde os 14 anos e jamais me adaptaria á rotina de ficar o dia inteiro em casa, cuidando de tudo. Definitivamente, essa não sou EU!!!!
Portanto, reitero aqui minha admiração pelas nossas mães, pelas “rainhas do lar” e pelas nossas secretárias!!!

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