domingo, 12 de setembro de 2010

PAI, AFASTA DE NÓS ESSE CALE-SE!


Quando vivemos os horrores da ditadura militar, entre 1960 e 1988, a liberdade de expressão das pessoas e dos veículos de comunicação era cerceada por . Pessoas imbuídas de valores, crenças e ideologias que convergiam com os interesses daqueles que detinham o poder.  Artistas, pensadores, críticos do sistema eram exilados ou “desapareciam”. O saldo político desse sistema foi desastroso!
O PT foi nessa época, o partido da resistência, dentre outros partidos. Por isso, fico desapontada com as ações de alguns políticos que contrariam a proposta ideológica do partido, que aliás vem sendo diluída ao longo dos anos pelos prepostos que aí estão a governar.
O PT perdeu a credibilidade, desde os escândalos envolvendo o Zé Dirceu e o Palocci. Não se enganem achando que a Dilma vai ser o Lula de saias, nem que o Serra vai ser o salvador da saúde e da educação (lembram que no início do ano ele mandou “baixar o pau” nos professores grevistas em São Paulo? Eu não esqueci... Como professora que sou, me senti violentada também). Não temos hoje candidatos competentes para assumir a presidência da República. Os outros não estão no páreo. Pode ser que a Marina surpreenda. Quebram-se os sigilos. A mando do PT? Um golpe do PSDB? Para favorecer a quem?
E por falar em sigilo, qual a intenção do Gabinete do Prefeito ter o nome completo, RG e CPF do locutor “Branquinho”? Há uma prerrogativa jurídica para exigir esses documentos?  O prefeito perdeu a cabeça ou está mal assessorado? Com tantos milhões em caixa, ainda dá tempo de tentar recuperar a imagem, já tão arranhada, pelo menos para os eleitores mais ingênuos. Ainda dá para trabalhar pela cidade, pelos interesses do povo, para quem exerce o poder, e de quem emana o poder, pressuposto básico para o exercício da democracia.
Acredito que estamos amadurecendo politicamente e não podemos aceitar esse tipo de coação. Chico Buarque cantava “Pai, afasta de mim esse cálice” porque não podia explicitar seu pensamento. Ainda bem que alguns censores não tinham perspicácia suficiente para perceber trocadilhos e canções de protesto passavam quase incólumes.
Não preciso dizer que sou defensora da LIBERDADE, seja de expressão, de orientação sexual, de crença ou qualquer outra. A nossa liberdade individual só não pode atentar contra os princípios do direito e da ética. Já dizia o filósofo francês Voltaire “posso não concordar com nenhuma de tuas palavras, mas morrerei defendendo o teu direito de dizê-las.
Graças a Deus e à luta de heróis esquecidos hoje posso gritar se assim desejar, e, nesse momento quero fazê-lo: PAI, AFASTA DE NÓS ESSE CALE-SE!  Abaixo a censura, abaixo a coação!

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