domingo, 7 de julho de 2013

CIPÓ, 82 ANOS DE EMANCIPAÇÃO. CADÊ NOSSA HISTÓRIA?



Antes, um pequeno povoado, chamado Mãe D´água, perdido no meio do sertão.  Hoje, uma jóia esquecida no fundo do baú de uma madame decrépita: a administração pública.
 Oitenta e dois anos se foram e o pequeno povoado, onde o médico Dr. Adriano Pondé fez suas pesquisas nos anos 1920, impulsionado pelo potencial de suas águas curativas, tornou-se uma cidade. Em torno das cálidas águas, ela cresceu. No meio do sertão, onde o calor faz ferver a terra, um oásis de beleza: Caldas de Cipó. Com o potencial turístico e a construção da ponte sobre o Rio Itapicuru ampliando a malha rodoviária de um Brasil que queria florescer industrialmente, Caldas de Cipó tornou-se a Princesinha do Sertão, com suas águas medicinais e aqui chegavam pessoas não só do Brasil, mas de várias partes do mundo buscando tratamento.
Nos anos de ouro, o povo cipoense viu a construção do Grande Hotel, que abrigava a elite da época, o Radium Hotel, o funcionamento do cassino, em pleno vapor, pois os jogos de azar eram legalizados. O Clube Balneário era um espetáculo à parte, com seus banheiros a sua impressionante piscina termal.
Passados 82 anos, pergunto: o que foi feito? Não podemos viver no passado, mas é preciso preservar a nossa história para termos um futuro. Hoje Cipó é apenas uma pálida sombra  do que foi um dia.
Cada vez que sento-me à Praça Juracy Magalhães, contemplo com tristeza o Grande Hotel, fadado ao descaso da Bahiatursa e da prefeitura Municipal que há muitos anos parece anestesiada demais para perceber que o prédio está ruindo. O Radium Hotel, mesmo alvo de uma disputa judicial não merece o tratamento desrespeitoso que tem. Árvores crescem em sua fachada e as pessoas parecem não perceber que suas raízes apodrecem a estrutura e que podem causar acidentes graves.
E o Teatro Genésio Sales, o Posto de Puericultura? São prédios que pertencem á cidade e que estão há muito, abandonados.
O Clube Balneário, desse ninguém lembra. De um passado antes glamouroso, hoje está fadado às ruínas. Não podemos viver de saudade, mas o que está sendo feito com o nosso patrimônio artístico, histórico e cultural está sendo vergonhoso.
São louváveis os esforços de muitos cipoenses para fortalecer a nossa identidade, compartilhando fotografias e relatos de seus acervos pessoais, mas precisamos mais do que isso. Somos uma cidade digna de possuir um museu e temos espaços para isso. O que não se tem é boa vontade.
Enquanto estivermos preocupados apenas com a qualidade dos artistas que são trazidos para o Aniversário da Cidade, deveríamos nos preocupar com o futuro dela, com o que queremos para nós mesmos e para os nossos filhos. Certamente, um dia voltarei e quero que meus netos possam se orgulhar de suas origens  e ter o prazer de visitar uma velha avó que mora numa cidadezinha do sertão!

Niclécia Gama

Imagens do Clube Balneário em ruínas - Google Imagens

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