segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

CONSCIÊNCIA NEGRA, CONSCIÊNCIA CIDADÃ

A partir de 2010, o Dia Nacional da Consciência Negra será feriado nacional. Nada mais justo para honrar a memória de um povo que foi arrancado de seus lares para construir o nosso país à força do ferro, do sangue e do suor. Mas que dia 20 de novembro será esse? UM dia em que possamos debater a real condição dos afro-descendentes em nosso país e em nossa cidade ou mais um feriado para ter festa, para o negro dançar como fez no passado, na famigerada “Libertação dos escravos”? E depois da festa? Quais são as alternativas para melhorias na educação, emprego e renda?

Em Caldas de Cipó a data este ano foi lembrada com uma pequena, mas produtiva, reunião no Colégio Kolpping. Organizada por Ronald Anunciação, na qual participaram as comunidades quilombolas do Caboge, Várzea Grande e Rua do Jorro, além de outros poucos participantes que não pertenciam a essas comunidades, mas estavam ali, demonstrando seu apreço à comunidade negra cipoense. Quanto a mim, estava lá como convidada palestrante, esclarecendo aos presentes que minha presença não estava vinculada a política partidária ou a interesses próprios. Estava ali, pois acredito que nós quando portamos um diploma de nível superior temos a responsabilidade social de contribuir com o esclarecimento das camadas menos favorecidas. Falar de Consciência Negra não se resume a assistir a uma palestra, ver um filme ou levantar uma bandeira. É uma discussão mais ampla que deve partir não apenas do poder público mas também da sociedade civil no intuito de quebrar paradigmas, desmistificar estereótipos e construir consciências desde o berço. Ninguém nasce preconceituoso. Os preconceitos e a discriminação racial são arraigados nas jovens mentes pelo modelo de sociedade que dispomos.

É hora de fazer valer a lei 10639/03 que institui o ensino da história e do legado africano e afro-descendente em nosso país, mais tarde ampliada pela lei 11645/08 que trata também da contribuição indígena. Fico pensando que não seriam necessárias tais leis se tratássemos da formação do povo brasileiro de maneira igualitária, valorizando e respeitando os povos que construíram a nossa história, nosso modo de ser e viver, nosso patrimônio material e imaterial. Chega de ditados vergonhosos como aquele de que “o negro quando não suja na entrada, suja na saída”. Como nossas crianças negras, indígenas ou brancas podem crescer num país que diminui sua auto-estima e destrói seu auto-conceito, se por séculos de dominação discriminamos o pobre, o preto, o indio, dizendo-os feios, sujos, macacos, cabelos-ruins, entre tantos outros adjetivos pejorativos? Que o próximo 20 de novembro seja marcado pela reflexão de toda a sociedade cipoense. Que haja festa, mas que hajam debates para educar para a cidadania, para fortalecer a dignidade e o respeito á população negra do Caboge, da Várzea Grande, da Rua do Jorro, do Barro Branco, da Vereda Funda, do Amari e de tantos outros povoados da nossa cidade.

A nossa comunidade negra não quer mais tolerância, exige respeito! Lembremos, que em ano eleitoral voto não tem cor... Educar, segundo Paulo Freire, é uma ato político. Eduquemos a população para que exerça plenamente sua cidadania independentemente de opção sexual, raça ou religião. Que o Dia da Consciência Negra não fique estanque ao dia 20 de Novembro. Que possamos refletir sobre o real papel de cada um de nós na sociedade: o de exercer plenamente os nossos direitos políticos, com igualdade e sem atitudes racistas e discriminatórias. Senti falta de uma nota sobre o Dia da Consciência negra em Cipó, pois muitos dos nossos patrícios estão espalhados pelo Brasil e lêem a coluna da Radio Millenim. Reconheço a importância da Rádio, que é comunitária, por isso, respeitosamente solicito a publicação deste artigo na página principal do blog, pois gostaria que ele fosse comentado por outros. Acreditando no poder da Rádio Millenium como veículo de informação e formador de opinião, faço aqui um chamamento para o combate ao preconceito e ao racismoVelado!


Niclécia Gama: Educadora, Psicopedagoga, Cidadã Cipoense. / Postagem: Flávio Leone

1 Comentários:

Anonymous FABRICIO BASTOS disse...

A MILENIUM FM É REALMENTE PRESENTE E ATUANTE NA CIDADE DE CIPÓ E REGIÃO, GOSTARIA DE DEIXAR AQUI MEUS AGRADECIMENTOS E PARABENIZAR A TODA EQUIPE DO NOSSO QUERIDO ARILDO, QUE NOS INFORMA DE MANEIRA CLARA E RAPIDA OS ACONTECIMENTOS NA NOSSA GRANDE CIDADE.
UM GRANDE ABRAÇO E CONTINUEM ASSIM.

30 de novembro de 2009 17:12



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