segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

COMEÇAM AS AULAS NO PAÍS DO CARNAVAL

COMEÇAM AS AULAS NO PAÍS DO CARNAVAL

Dizem as más línguas que na Bahia o ano só começa depois do Carnaval. Em parte, isso é verdade, considerando o início do ano letivo. Em Salvador, as escolas particulares e as municipais do Ensino Fundamental I (1º ao 5º ano), resolveram iniciar o ano letivo no dia oito de fevereiro para cumprir o calendário letivo de 200 dias, de acordo com a Lei 9394/96, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação e pude observar o fiasco: nas escolas particulares, poucos alunos em sala de aula e nas municipais, os alunos e pais foram recebidos e informados do movimento de paralisação que se iniciou no dia 09, em luta pelo plano de saúde prometido pela Prefeitura de Salvador até setembro do ano passado e não cumprido até então e pelo fechamento de escolas no noturno, retornando ás atividades, provavelmente, no dia 22, quando acabam-se, na capital do rebolation, as ressacas do carnaval.
Por falar em escolas fechadas, é bom retomar as discussões sobre a Escola Maria Macedo. Onde estão os pais dos alunos interessados que não abrem uma ação no Ministério Público? Se existem alunos, vagas e professores, por que não existirem as turmas? E o Estado andou fechando escolas em Salvador por falta de alunos...
Acredito que o que ocorre é que os governos desejam cada vez mais a população mal informada, pois pode ser facilmente tratada como “massa de manobra”. Infelizmente, as políticas públicas no Brasil, de modo geral, atendem apenas a interesses políticos partidários. Política educacional é projeto de longo prazo. Não se muda a realidade educativa da nossa cidade, do nosso estado ou do nosso país em curto prazo. Qualquer mudança significativa na educação ocorre em períodos mínimos de 10 anos, por isso é preciso que se criem políticas educacionais de continuidade e não aquelas que duram apenas enquanto o governante X ou Y está no poder.
E, mais que o aluno, quem sofre com essas mudanças bruscas é o professor, que tem que rezar pela cartilha das Secretarias de Educação, das Direc e do MEC. Impõem-se leis, sempre num movimento de cima para baixo e o professor tem que engoli-las, sem o preparo adequado para realizar as mudanças necessárias. Ora, o foco da educação é a aprendizagem do aluno, mas será que se quer mesmo que ele aprenda realmente a se tornar um cidadão autônomo, crítico e participativo ou simplesmente oferecer-lhe apenas a educação básica, sem acenar-lhe as infinitas possibilidades de quem detém o saber? Que instrumentos de mudança estão sendo oferecidos a nós, professores, para formarmos esse cidadão? Como incluir o aluno com necessidades educativas especiais? Como ensinar história e cultura africana? São muitas perguntas e poucas respostas à disposição de grande parte dos professores.
Temos que lutar pelos nossos direitos, pela dignidade de nossos salários, pela qualidade do ensino e da aprendizagem dos nossos alunos. Nesse início de ano letivo é hora de serem firmadas parcerias entre a escola e a família, que são a base das mudanças sociais. É bom lembrar que começa também o desfile dos candidatos ao governo do estado, levantando o velho lema da educação e da saúde, por isso, devemos ter os olhos e ouvidos bem atentos para suas propostas. E que 2010 seja produtivo para todos nós!

Matéria: Niclécia Gama

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